Cultura e Cidade

  • Cláudio Marques

    De pais e avós baianos, Cláudio Marques é fundador e coordenador do Panorama Internacional Coisa de Cinema desde 2003. Diretor, roteirista, produtor e montador de 6 curtas metragens, todos co-dirigidos com Marília Hughes. "Depois da Chuva", primeiro longa da dupla, foi exibido em mais de 30 festivais pelo mundo. "A Cidade do Futuro" é o segundo longa de Marília e Cláudio e será lançado comercialmente em 2017.

A vitória (tardia) de uma geração

Kleber dirige Sônia Braga, em Aquarius

Existem poucos cineastas entre 40 e 50 anos. Poucos, pouquíssimos. Nos anos 90, Collor e a sociedade nos diziam que o Brasil não sabia e não deveria fazer cinema.

Collor quase aniquila uma geração inteira de cineastas. Quem ficou teve que criar diferentes estratégias para continuar vivendo de cinema.

Kleber Mendonça Filho chega ao seu segundo longa com mais de 45 anos. Hoje, já temos cineastas talentosos fazendo seus primeiros longas com menos de 30 anos.

Está aí, para mim, o mais importante significado da seleção de “Aquarius”, de Kleber em Cannes. Ele está ocupando um espaço almejado em todo o mundo e que parecia não nos pertencer.  Essa não é a única vitória do cinema nacional nos últimos anos. Existem outras tão importantes quanto. Mas, é uma conquista especial pelo que a marca “Cannes” representa.

O mais importante é ver o conjunto de uma produção que vai ocupando TODOS os espaços mundo afora, enfrentando todas as adversidades com muito talento e diversidade. Um trabalho incrível que vem sendo feito pela ANCINE – Agência Nacional do Cinema.

Com tantas mazelas e equívocos do Governo Federal nos últimos anos, taí uma área onde as coisas prosperaram e muito. Creio que graças a tantas pessoas dedicadas e apaixonadas pelo cinema (que fazem cinema) que estão lá, que trabalham lá.

Vale lembrar como o Governo de Pernambuco acreditou e investiu no cinema na última década. Poucos estados tiveram essa percepção.

Nos anos 90, esse momento do cinema nacional que estamos vivendo hoje era absolutamente impensável! Estaria num patamar muito além de um belo sonho.

“Aquarius” em Cannes é a vitória tardia de uma geração sobre a burrice.

 

O texto acima é de responsabilidade do colunista e não expressa a opinião do grupo Teatro NU.

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