Cultura e Cidade

  • Cláudio Marques

    De pais e avós baianos, Cláudio Marques é fundador e coordenador do Panorama Internacional Coisa de Cinema desde 2003. Diretor, roteirista, produtor e montador de 6 curtas metragens, todos co-dirigidos com Marília Hughes. "Depois da Chuva", primeiro longa da dupla, foi exibido em mais de 30 festivais pelo mundo. "A Cidade do Futuro" é o segundo longa de Marília e Cláudio e será lançado comercialmente em 2017.

Nove anos não são nove dias!

Foi mais ou menos assim que eu encontrei o cinema, em 2000.

 

Em 16 de dezembro de 2008, após oito anos de projetos, vai-e-vens, viagens para São Paulo e Rio de Janeiro, foi reinaugurado o Espaço Itaú de Cinema – Glauber Rocha (era Unibanco, vocês sabem, mas aqui me adianto!).
Desde 1919 esse espaço funciona como cinema: Kursaal Baiano (1919), Cine Theatro Guarany (1920), Cine Guarani (1955), Cine Glauber Rocha (1981). Fechou as portas, como quase todos os cinemas de rua da cidade e do país, em 1998.

Em 2008, cerca de 630 pessoas foram ao cinema e lotaram quatro salas para ver “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, de Glauber Rocha. Como escreveu à época o nosso saudoso João Carlos Sampaio, “uma sessão histórica!”.

Na plateia, estavam Dona Lúcia Rocha, Paloma Rocha, Eryk Rocha, Ava Rocha, João Rocha e Pedro Paulo Rocha. Também estava o Ministro da Cultura, Juca Ferreira.
No dia 19 de dezembro, o cinema foi aberto para o público em geral!

Parecia que não vingaria, mas vingou! Escutei centenas de vezes que não funcionaria, mas está funcionando e se constituiu como motor propulsor para que a região ganhasse novo ânimo. Desde então, temos o renascimento do Teatro Gregório de Mattos, Espaço Cultural da Barroquinha e Hotel Palace. Em breve, o Hotel Fasano que vai ocupar o antigo prédio de A Tarde.
Pouco se fez em termos de planejamento estratégico para a região. Na verdade, é tudo “na tora”, mesmo. Continuamos com centenas de imóveis sem destino, a residência universitária não foi para frente, comércio pequeno e moradia popular…. nada foi articulado!
Mas, sabe-se que poucas cidades possuem um complexo cultural como esse em frente a uma das mais belas vistas do mundo. Somos privilegiados e temos que ter consciência disso.

Cabe à sociedade dar continuidade a esse projeto, que diz respeito a nossa história. Cabe à soceidade frequentar o Centro Histórico e lutar para que a nossa memória não seja apagada.

Obrigado a todos os frequentadores, parceiros e amigos do Espaço Itaú de Cinema – Glauber Rocha!

PS: Na foto, mais ou menos como eu encontrei esse espaço em 2000.

 

O texto acima é de responsabilidade do colunista e não expressa a opinião do grupo Teatro NU.

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Comentários

 Rogério Carvalho
Frequento este espaço desde sua reinauguração como espaço Unibanco. Gosto muito porque acho que encontra-se numa região histórica, combinando com o enredo cultural da cidade do Salvador. Parabéns a Cláudio Marques e equipe pelo projeto tão engrandecedor para nossa cidade.

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